Pular para o conteúdo
Terceiro Olho
A via crucis do corpo - Rocco
Mais em Política, Direito e Ciências Sociais

A via crucis do corpo - Rocco

Livros e Revistas › Livros › Política, Direito e Ciências Sociais · Leitura Parque D.Pedro · Brasil

Código do achado: 425514

R$ 45,48

Preço observado na coleta, na loja indicada. Pode ter mudado — confira antes de comprar.

Ver em Leitura Parque D.Pedro

Este link pode ser de parceiro: se você comprar, o TERCEIRO OLHO pode receber uma comissão. Isso não muda o preço que você paga nem a ordem em que os achados aparecem.

Me mostre outro achado

Descrição do anúncio

Texto da loja parceira, reproduzido como a fonte informa. As informações são do vendedor: confira na loja antes de comprar.

Cuidado, leitor, este livro requer coragem. Parece ser o desafio lançado por Clarice Lispector no prefácio "Explicação" de A via crucis do corpo, livro de 1974. Nele, a autora simula uma Clarice diferente da que os leitores estavam acostumados desde sua primeira obra, Perto do coração selvagem, de 1944. No entanto, ela é a mesma de sempre, a que nunca se recusou a fitar com os olhos abertos a selvageria do desejo humano, da avidez humana, da sordidez humana. O que se modificou foi o espanto se convertendo em escândalo, o sobressalto em ferocidade. Neste livro, Clarice está próxima à literatura maldita ou, como quer Georges Bataille, próxima à literatura do mal. Afrontando os limites morais, a autora adverte: "Fiquei chocada com a realidade. Se há indecências nas histórias a culpa não é minha." O deslocamento da noção de indecência para o âmbito total da realidade cria um estado de perplexidade no leitor que poderá levá-lo a exclamar como a própria narradora de um dos contos: "A vida era isso, então? Essa falta de vergonha?" São 14 textos ficcionais – 13 contos mais o prefácio "Explicação" – compondo para o leitor um panorama de vicissitudes do corpo – o grande personagem destas histórias. O corpo nos seus desarranjos pulsionais, na tirania de seus desejos, nas suas fraturas e feridas, nos seus êxtases. O corpo como bênção e maldição. Como tudo que excede, o que sobra, mas que não chega nunca a suprir a falta primordial. Enigmático e severo, óbvio e exultante. Além do ousado tratamento temático da paixão do corpo (paixão entendida etimologicamente como pathos), o estilo de Clarice está mais depurado e enxuto neste pequeno livro. À Primeira vista, se poderia pensar no estilo realista. Não se engane, todavia, leitor: Nada é tão simples nem tão evidente quanto parece. O realismo destas histórias encontra-se sob forte pressão e o efeito é sempre desconcertante, tal como no detalhe final do fecho narrativo do conto "Melhor do que arder": "Tiveram quatro filhos, todos homens, todos cabeludos." Aceite o desafio e enfrente o desconcerto, caro leitor. A literatura de Clarice tem força. — ANA CRISTINA CHIARA, Profª. Adjunta de Literatura Brasileira na UFRJ

Mais em Política, Direito e Ciências Sociais